Juízo


Em algumas cidades do mundo existem épocas de tornados. Aqui em Natal, o que existe é época de dilúvios. O lance é que como a nossa cidade é um poço de infra-estrutura e urbanismo é meio complicado sair de casa quando chove tão desesperadamente quanto choveu na última terça-feira. Mas, mesmo assim, nos armamos de remos e fomos assistir a um documentário no cinema. Sério, a gente merece um prêmio por isso. O documentário é muito bom, mas Creuza total! (pra quem não está familiarizado com esse termo super-científico, um filme é Creuza quando ele mostra cenas de crueza, seja de violência física ou psicológica. Expressão criada por Mateus Cardoso em um lapso de leitura).

O nome do documentário é “Juízo”. Ele é extremamente bem feito e emocionante. Chorei litros, tanto que a pobre da Myrianna que tava do meu lado já estava começando a ficar preocupada com meu descontrole.

Mas, se não bastasse ter atravessado a cidade, segundo a amiga Sheylliane, na verdade, um rio, um mangue e um mar com correnteza e tudo, em pleno dilúvio, quando eu chego na bilheteria para comprar o ingresso o seguinte diálogo acontece.

Moça da bilheteria: qual é o filme?
Taty: O Juízo
Moça da bilheteria: uma meia?
Taty: sim.
Moça da bilheteria: está aqui. Obrigada e tenha um bom filme... Moça!
Taty: oi!
Moça da bilheteria: o filme é legendado, viu?
Eu mereço... Fiquei cinco minutos parada me perguntando: e daí?
Por acaso eu tenho cara de quem não sabe ler ??? Tô revoltada até agora com esse comentário!

Mas, enfim, o documentário é muito bom. Mostra a realidade dos adolescentes que cometem infrações e a condição socioeconômica desses. O filme se exime de perguntas, a diretora Maria Augusta Ramos se utiliza exclusivamente da observação. É bem verdade que a Juíza, que tem suas audiências filmadas, Luciana Fiala, contribui bastante com a veracidade conferida no documentário. Luciana se mostra sempre incisiva e age de acordo com os preceitos jurídicos, que ela julga se adequar a cada caso, sem demonstrar preocupação com a imagem que ela terá após a exibição do filme.

A justiça não é diferente da sociedade para qual ela trabalha. Essas são as palavras da juíza Luciana Fiala, que a diretora desse filme fez questão de explicitar, deixando claro seu ponto de vista em relação a nossa obrigação como responsáveis pela sociedade em que vivemos.

O documentário é belo não só pela emoção que ele nos promove, mas por mostrar aquelas crianças e adolescentes como seres humanos, não como números, não como bandidos, não como vítimas. Simplesmente como humanos, jovens e sem condição de manejar a própria vida em função do que lhes foram negados desde o berço.

É isso... “Juízo” é um ótimo documentário que (com dilúvio ou sem dilúvio) PRECISA ser visto.
Ah, e só pra explicitar um pouco mais a minha revolta com a menina da bilheteria. O documentário é brasileiro e não, não tem legenda!

Bjus
Taty
Mais tarde tem podcast! =D

1 comentários:

Myrianna Coeli disse...

Eu tava vindo aqui, além de escrever o post sobre friends, pra escrever também sobre esse filme/documentário "Juízo" que é extremamente CREUZA!!!! Mas, que todo mundo tem que ver. É por filmes como esse que minha vontade de ser cineasta revigora, mas o caminho é muito difícil.

Faço das palavras da Taty as minhas!

bjs

 
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